

Solução baseada em inteligência de dados utiliza infraestrutura já existente para ajustar placas na horizontal
A Echoenergia, plataforma de soluções energéticas do Grupo Equatorial, desenvolveu uma tecnologia para aumentar a eficiência da geração solar em dias nublados. A solução utiliza um algoritmo em linguagem Python, criado internamente, que posiciona automaticamente os painéis fotovoltaicos na horizontal quando há maior nebulosidade, favorecendo o aproveitamento da radiação difusa. Com isso, a companhia consegue otimizar a produção de energia sem a necessidade de investimentos adicionais em novas tecnologias ou equipamentos.
Em dias nublados, os painéis são posicionados na horizontal para aproveitar melhor a radiação difusa. Já em condições de céu limpo, os trackers voltam a acompanhar a posição do sol. A tecnologia, baseada em inteligência de dados, cruza informações técnicas do próprio sistema para automatizar a tomada de decisão da usina em tempo real e coordenar as placas no parque gerador. A solução vem sendo testada há um ano na UFV de Ribeiro Gonçalves, no Piauí, e atualmente 99% dos trackers já operam com o algoritmo integrado.
O software calcula continuamente o recurso solar teórico, ou seja, quanta energia do sol a usina receberia se o céu estivesse totalmente limpo. Em seguida, o algoritmo compara esse valor teórico com os dados reais captados pelos sensores convencionais já instalados no local. A diferença matemática entre o “sol perfeito” e o “sol real” revela o índice de opacidade das nuvens.
A partir desse diagnóstico instantâneo, se o índice aponta alta opacidade — muitas nuvens no céu —, o sistema envia o comando para que os motores ajustem a posição das placas para a horizontal, permitindo aproveitar a radiação difusa e aumentar a capacidade de produção de energia.
“Batizado de Nebula, o projeto nasceu de uma percepção simples: boa parte do ganho de performance está em usar melhor o que a usina já tem. Nosso time de Performance transformou dados de sensores que já estavam instalados em uma decisão automática de operação, sem nenhum investimento em novos equipamentos”, afirma Bruno Macedo, gerente de Performance e Manutenção Solar da Echoenergia.
Captação cresceu em média 0,5% em dias nublados
No período chuvoso na usina de Ribeiro Gonçalves, de novembro a março, o ganho médio estimado na geração de energia ficou em torno de 0,5%. O maior pico no aumento na geração solar em relação à posição tradicional dos painéis foi no mês de fevereiro, que alcançou 1,37%. Já no período de seca, que vai de maio a setembro, os ganhos foram mínimos, uma vez que dias nublados são raros nessa época na região. Estima-se que a aplicação da nova tecnologia gere um ganho médio anual de aproximadamente R$ 200 mil.
De acordo com Macedo, os ganhos de eficiência acumulados ao longo dos meses mais chuvosos têm impacto relevante nos resultados da companhia. “Trata-se de energia que já estava disponível, mas que não era plenamente aproveitada pela usina. Não estamos aumentando a geração por meio da instalação de novos equipamentos, e sim capturando de forma mais eficiente a energia que o recurso solar já disponibilizava naquele momento. Como a solução é baseada em software e aplicada sobre uma infraestrutura existente, os ganhos obtidos podem ser naturalmente estendidos para o restante do portfólio” complementa Macedo.


