

O termo pode parecer distante do dia a dia, mas é um desafio real e urgente para o avanço da energia renovável no Brasil.
Um estudo da Volt Robotics mostrou que entre janeiro e agosto deste ano 17,6% da energia que poderia ser gerada por usinas eólicas e solares foi cortada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Isso significa que quase um quinto da energia limpa disponível simplesmente deixou de chegar ao sistema, um sinal claro de que a transição energética precisa vir acompanhada de mais planejamento, tecnologia e inovação.
Embora o conceito pareça técnico, seus impactos são bastante concretos para o dia a dia do país: cada corte representa energia limpa que deixa de abastecer residências, empresas e indústrias. Esse fenômeno, que cresce à medida que o Brasil amplia suas fontes renováveis, revela o quanto a expansão da geração precisa caminhar junto com investimentos em infraestrutura e inteligência operacional.
Embora o conceito pareça técnico, seus impactos são concretos: cada corte representa energia limpa que deixa de abastecer residências, empresas e indústrias. Esse fenômeno, que cresce à medida que o Brasil amplia suas fontes renováveis, mostra que a expansão da geração precisa caminhar junto com investimentos em infraestrutura e gestão inteligente para evitar novos cortes de geração de energia no país.
A seguir, entenda o que são os cortes de geração de energia, por que acontecem e quais impactos trazem para o setor elétrico brasileiro.
Por que os cortes de geração de energia cresceram no Brasil
O Brasil vive uma expansão acelerada da geração renovável. A combinação de ventos constantes no Nordeste e queda nos custos da tecnologia solar fez com que o país atingisse recordes históricos de capacidade instalada nessas fontes.
Mas esse crescimento trouxe um efeito colateral: a infraestrutura de transmissão não acompanhou o ritmo. Em várias regiões, as usinas conseguem gerar muito mais energia do que o sistema consegue escoar.
Desde o segundo semestre de 2023, o ONS tem ordenado reduções forçadas de geração, os chamados cortes de geração de energia. Essa prática, intensificada em 2025, gerou uma crise técnica e econômica, que ameaça a previsibilidade dos investimentos e desperdiça o potencial da matriz renovável.
O problema tem origem no descompasso entre a velocidade de instalação de novos parques eólicos e solares e o ritmo de construção das linhas de transmissão. Além disso, há um componente regional importante: o Nordeste concentra a maior parte da geração renovável, enquanto o consumo se dá majoritariamente no Sudeste. Essa diferença pressiona as rotas de escoamento e contribui para novos cortes de geração de energia, especialmente em horários de pico de produção.
O que são os cortes de geração de energia (curtailment) e por que ele acontece
O termo “curtailment” vem do inglês e significa redução ou limitação. No setor elétrico, ele descreve a situação em que usinas aptas a gerar energia são obrigadas a diminuir ou interromper sua produção, por decisão do operador do sistema.
Essa decisão é técnica e tem como objetivo manter o equilíbrio e a segurança da rede. Em resumo, o ONS pode determinar o corte da geração por três motivos principais:
- Indisponibilidade externa: quando falhas ou atrasos em linhas de transmissão impedem o escoamento da energia gerada.
- Confiabilidade elétrica: quando é necessário preservar a estabilidade da rede, evitando sobrecarga ou riscos de apagões.
- Razão energética: quando há excesso de geração e a demanda não é suficiente para absorver toda a energia disponível.
Embora o curtailment seja uma medida técnica e pontual, nos últimos anos os cortes de geração de energia se tornaram frequentes, afetando dezenas de usinas e o planejamento de investidores.
Esses cortes de geração de energia, ainda que necessários para manter a estabilidade, causam prejuízos relevantes ao setor. Quando não há compensação adequada, os riscos recaem sobre quem investe em fontes limpas, o que pode desacelerar o ritmo de expansão da energia renovável no Brasil e comprometer metas de descarbonização.


Causas e regiões mais afetadas pelos cortes de geração de energia
De acordo com a Volt Robotics, os cortes na geração de energia renovável aumentaram 230% entre janeiro e agosto de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024.
Entre os principais motivos estão:
- Falta de demanda para absorver a energia solar e eólica;
- Atrasos nas obras de transmissão;
- Políticas operativas mais conservadoras após o apagão de agosto de 2023.
Os estados mais impactados são: Minas Gerais (37,8%), Ceará (33,5%), Rio Grande do Norte (30,3%) e Pernambuco (29,4%).
Os cortes costumam ocorrer entre 9h e 16h, período de maior produção solar, e se intensificam nos fins de semana, quando o consumo é mais baixo.
Além disso, fatores climáticos também influenciam. Em dias de ventos muito fortes ou alta irradiância solar, o pico de geração pode superar o consumo regional, exigindo que o ONS intervenha. Esse tipo de curtailment, embora momentâneo, repete-se com frequência e amplia as perdas acumuladas, sobretudo em regiões onde a expansão da infraestrutura ainda é limitada.
Impactos dos cortes de geração de energia no setor elétrico
Os números mostram o tamanho do problema. Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil deixou de gerar cerca de 4,3 mil GWh de energia renovável, o equivalente ao consumo mensal de quase 2 milhões de residências.
As perdas econômicas foram expressivas: R$ 881 milhões apenas em agosto, somando R$ 6 bilhões desde 2021, segundo dados do ONS e da Volt Robotics.
Além das perdas econômicas, os cortes de geração de energia comprometem a previsibilidade dos contratos, reduzem receitas e desestimulam novos investimentos em energia limpa. Produtores e investidores precisam lidar com um cenário incerto, em que parte da energia contratada não chega a ser vendida.
Do ponto de vista ambiental, há também um paradoxo: energia limpa sendo desperdiçada. Enquanto o mundo busca acelerar a descarbonização, o Brasil perde parte do potencial de suas fontes renováveis por falta de infraestrutura e mecanismos de compensação mais justos.
Hoje, apenas o curtailment “por indisponibilidade externa” é parcialmente ressarcido, conforme prevê a Resolução Aneel nº 1.030/2022. Já os cortes “por confiabilidade elétrica” e “por razão energética” são integralmente assumidos pelos geradores, o que amplia o desequilíbrio econômico no setor.
Esse desequilíbrio regulatório é um dos principais pontos de atenção para o futuro da matriz energética. Sem mecanismos de compensação mais robustos, a atratividade dos investimentos pode cair. Além disso, os impactos ambientais e financeiros dos cortes de geração de energia colocam em risco os compromissos do país com a transição energética e com as metas de redução de emissões de carbono.


Como reduzir os cortes de geração de energia com tecnologia e inovação
Apesar dos desafios, o curtailment também representa uma oportunidade de inovação. O estudo da Volt Robotics apresenta algumas medidas emergenciais que podem reduzir perdas e aumentar a eficiência do sistema:
- Ampliar a transmissão, acelerando obras que escoem a energia do Nordeste para o Sudeste.
- Criar leilões de curtailment, estimulando o consumo em horários de maior oferta, com preços mais baixos.
- Regulamentar compensações para os geradores afetados por restrições do sistema.
- Adotar tarifas inteligentes, que incentivem o consumo em períodos de sobra de energia.
- Tornar a geração hidrelétrica mais flexível, abrindo espaço para fontes renováveis.
- Aprimorar a gestão da geração distribuída, com armazenamento e novos modelos tarifários.
- Flexibilizar a operação das térmicas, reduzindo sua inflexibilidade contratual.
- Avançar no V2G (Vehicle-to-Grid), permitindo que veículos elétricos armazenem e injetem energia conforme a demanda.
Essas soluções combinam tecnologia, regulação e gestão, pilares essenciais para reduzir os cortes de geração de energia e garantir maior eficiência à matriz elétrica nacional. Com o avanço da digitalização do setor elétrico, a análise preditiva de dados, a modelagem climática e a inteligência artificial tornam-se aliadas valiosas para prever períodos de excesso de geração e ajustar a operação de forma dinâmica.
Além disso, modelos contratuais mais flexíveis e plataformas digitais de monitoramento ajudam a mitigar riscos, garantindo mais previsibilidade e eficiência para geradores e consumidores.
Ferramentas digitais permitem prever picos de produção e antecipar gargalos na rede, reduzindo o número de cortes de geração de energia. O uso de baterias, sistemas de armazenamento e modelos descentralizados de gestão energética também oferece uma saída sustentável para equilibrar oferta e demanda, tornando a matriz elétrica brasileira mais resiliente e eficiente.


Echoenergia: eficiência e sustentabilidade
A Echoenergia, parte do Grupo Equatorial, é especialista em geração e comercialização de energia renovável, com 1,8 GW de capacidade instalada, incluindo 1,2 GW em parques eólicos e 574 MW em usinas solares.
Com experiência, inovação e presença nacional, a empresa atua para tornar a geração de energia mais eficiente, sustentável e alinhada ao futuro do setor elétrico.
Entenda como a Echoenergia atua para tornar a geração renovável mais eficiente e sustentável.
Com operações distribuídas em diferentes estados brasileiros e uma estratégia baseada em inovação, a Echoenergia investe continuamente em soluções que aumentam a confiabilidade da geração e reduzem os cortes de geração de energia. A empresa adota práticas de gestão inteligente, prioriza a eficiência e busca alinhar crescimento econômico e sustentabilidade ambiental, contribuindo para o fortalecimento do setor elétrico nacional.


