

O custo de energia tem impacto direto na capacidade da indústria de produzir, investir e se manter competitiva. A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que 83% das empresas consideram o custo da energia elétrica importante para a competitividade. A eletricidade também é a principal fonte de energia utilizada no processo produtivo por 79% das indústrias pesquisadas.
Os dados ajudam a dimensionar o peso da energia na atividade industrial. Em um cenário de variação dos preços, acompanhar o consumo e avaliar alternativas para otimizar esse gasto passam a fazer parte das decisões que envolvem eficiência e planejamento.
A própria CNI aponta que a disponibilidade e o preço da energia são determinantes para a competitividade do produto nacional. O aumento dos custos pode afetar especialmente os setores intensivos em energia e gerar reflexos ao longo da cadeia produtiva.
Custo de energia já afeta a produção
A pesquisa mostra que essa pressão já é percebida pelas empresas. Nos 12 meses anteriores ao levantamento, 62% das indústrias sentiram aumento no custo da energia elétrica.
Entre as empresas pesquisadas, 67% afirmaram que o aumento da energia elétrica teve algum impacto no custo final dos produtos. Para 29%, o impacto foi médio, enquanto 11% o classificaram como alto.
Quando observada a dimensão dos aumentos, 27% das empresas relataram elevação entre 5% e 10% no custo de energia, enquanto 16% apontaram crescimento entre 10% e 20%. Entre as empresas de médio porte, a faixa de aumento entre 5% e 10% foi percebida por 32% dos respondentes.
Os efeitos também variam entre os segmentos industriais. O setor de produtos de borracha registrou o maior percentual de empresas que classificaram como alto o impacto do aumento da energia sobre os custos de produção, com 33%, seguido pelo setor de bebidas, com 21%.
O cenário reforça a necessidade de olhar para a energia não apenas como uma despesa operacional. Dependendo de sua participação no processo produtivo, alterações nesse custo podem pressionar margens, influenciar preços e afetar decisões de investimento.


Custo de energia
Indústrias buscam alternativas para reduzir o custo de energia
Diante desse cenário, parte significativa das empresas já procura alternativas para reduzir o custo de energia e tornar o consumo e a contratação de energia mais eficientes.
Segundo a CNI, 64% das indústrias adotaram alguma medida para economizar energia ou diminuir os custos tarifários. A principal estratégia apontada é a compra de energia no Mercado Livre, citada por 30% das empresas. A autogeração e as ações de eficiência energética aparecem em seguida, mencionadas por 13% dos respondentes em cada caso.
Essas iniciativas mostram que a redução do custo de energia pode envolver tanto mudanças na forma de contratação quanto investimentos voltados ao próprio consumo. No caso da eficiência energética, por exemplo, a estratégia está relacionada ao melhor aproveitamento da energia nos processos produtivos, enquanto a autogeração e o Mercado Livre representam outras possibilidades consideradas pelas empresas para administrar seus gastos com esse insumo.
A pesquisa também mostra diferenças entre os setores. O segmento de produtos de borracha se destaca tanto na autogeração, apontada por 25% das empresas, quanto na migração para o Mercado Livre, indicada por 38%. Já entre as empresas de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, 25% investiram em eficiência energética.
Ao mesmo tempo, 28% das empresas não adotaram nenhuma medida voltada à otimização energética dos processos produtivos. O dado mostra que ainda existe espaço para ampliar a discussão sobre gestão e redução do custo de energia dentro da indústria.
Não existe, porém, uma única estratégia para diminuir o custo de energia. A alternativa mais adequada depende do perfil de consumo, do porte da operação, da forma atual de contratação e das necessidades de cada empresa.
Mercado Livre avança como estratégia de redução de custos
Entre as alternativas adotadas pelas indústrias para reduzir o custo de energia, o Mercado Livre de Energia vem ganhando espaço. A possibilidade de negociar condições de contratação e escolher fornecedores coloca esse ambiente entre as estratégias consideradas pelas empresas na gestão dos gastos com energia.
Com a ampliação do acesso para consumidores conectados em alta tensão, em vigor desde 2024, 41% das empresas pesquisadas pela CNI afirmaram ter migrado para o Mercado Livre.
Os resultados percebidos por quem realizou a mudança ajudam a explicar esse movimento. Entre as empresas que migraram, 73% relataram redução nos custos com tarifas de energia elétrica. A faixa de redução mais mencionada foi de 10% a 20%, apontada por 23% das indústrias. Outros 16% indicaram diminuição entre 5% e 10%, e o mesmo percentual registrou redução entre 21% e 30%.
A pesquisa também mostra que os resultados não são iguais para todos os segmentos. Entre as empresas de produtos de minerais não metálicos, por exemplo, 36% apontaram redução entre 21% e 30% após a migração. Já no setor gráfico, 27% registraram redução entre 31% e 40%.
Os percentuais reforçam o potencial do Mercado Livre como uma alternativa para a gestão e redução do custo de energia, mas os resultados dependem das condições de contratação e das características de cada operação. Por isso, avaliar o perfil de consumo e as possibilidades disponíveis é parte importante da estratégia para empresas que buscam diminuir os custos com energia e ampliar a previsibilidade sobre esse gasto.


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Ainda existe espaço para ampliar o conhecimento sobre as alternativas
Apesar do avanço de novas formas de contratação, a pesquisa da CNI mostra que a falta de informação ainda pode ser uma barreira para empresas que buscam alternativas para gerir o custo de energia.
Entre as empresas que permaneciam no mercado cativo, 50% disseram não saber sobre a possibilidade de migração para o Mercado Livre, enquanto 32% demonstraram interesse em realizar a mudança. Para a CNI, o resultado indica que parte das empresas ainda está avaliando o tema ou não possui informação suficiente sobre essa possibilidade.
Conhecer as alternativas disponíveis é importante para identificar oportunidades de redução do custo de energia e avaliar quais delas fazem sentido para cada operação. Isso passa por entender o perfil de consumo, a forma atual de contratação e as necessidades do negócio antes de tomar uma decisão.
Nesse contexto, a gestão do custo de energia também depende de acesso à informação. Quanto maior a compreensão sobre consumo e possibilidades de contratação, melhores são as condições para avaliar estratégias que contribuam para maior eficiência e controle dos gastos com energia.
Eu só teria cuidado com uma coisa do texto original: “50% disseram não saber se havia possibilidade de migrar” não é exatamente como a CNI formula. O relatório diz que, entre as empresas no mercado cativo, 32% demonstraram interesse, 18% disseram que não havia possibilidade e 50% responderam “não sabem”.
Gestão do custo de energia ganha espaço na estratégia das empresas
Os resultados da Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 mostram que o custo de energia ocupa um papel relevante na competitividade da indústria brasileira. Se 83% das empresas consideram esse custo importante para sua competitividade e 67% já perceberam impactos nos custos de produção, gerir a energia de forma mais eficiente passa a fazer parte das decisões estratégicas do negócio.
Mercado Livre de Energia, eficiência energética e autogeração estão entre as alternativas adotadas pelas indústrias para buscar maior eficiência e reduzir o custo de energia. A pesquisa mostra, porém, que não existe um único caminho: a escolha depende do perfil de consumo, das características da operação e dos objetivos de cada empresa.
Nesse processo, contar com uma estratégia adequada pode ajudar a empresa a identificar oportunidades, avaliar alternativas e ter maior controle sobre seus custos com energia.
A Echoenergia apoia empresas na gestão de energia, com soluções alinhadas ao perfil de consumo e às necessidades de cada negócio, contribuindo para ampliar eficiência, previsibilidade e competitividade.
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