A abertura do mercado de energia deve ampliar a liberdade de escolha dos consumidores brasileiros nos próximos anos. No entanto, para que esse avanço gere benefícios reais, o setor ainda precisa enfrentar desafios relacionados à confiança, regulação e experiência do consumidor.
Esse é um dos temas do terceiro episódio da temporada especial do MegaCast com a Echoenergia. Camila Maia, jornalista da MegaWhat, conversa com Liu Aquino, diretor-presidente da Echoenergia, sobre o atual momento do setor elétrico e as transformações necessárias para os próximos anos.
Setor elétrico atravessa um momento de transformação
O crescimento das fontes renováveis mudou a dinâmica do sistema elétrico brasileiro. A expansão da geração eólica, solar e distribuída aumentou a necessidade de flexibilidade do sistema.
Ao mesmo tempo, parte das regras e dos modelos utilizados pelo setor ainda precisa acompanhar essa transformação. “A gente está passando, de fato, por uma crise. Essa crise desemboca em uma crise de confiabilidade”, afirma Liu. Segundo o executivo, comercializadoras enfrentam dificuldades relacionadas à previsão de preços e ao cumprimento de compromissos. Do outro lado, geradores avaliam com mais cautela os riscos das operações.
Esse cenário afeta também os consumidores. Afinal, a confiança entre os diferentes agentes é importante para que o mercado funcione de maneira eficiente.
Para Liu, quanto maior a confiança, maior tende a ser a eficiência. Como consequência, um ambiente mais eficiente pode contribuir para reduzir os custos da energia para o consumidor.


Abertura do mercado de energia amplia a liberdade de escolha.
Abertura do mercado de energia exige mais do que liberdade de escolha
A abertura do mercado de energia para consumidores de baixa tensão representa uma das próximas grandes transformações do setor. Porém, ampliar o direito de escolha não significa, por si só, garantir uma experiência melhor.
Na avaliação de Liu, o consumidor precisa enxergar vantagens concretas para deixar o ambiente regulado. Caso contrário, a possibilidade de escolher o fornecedor pode não ser suficiente para estimular uma mudança. “O cliente só vai fazer escolha se realmente fizer sentido para ele”, destaca.
Por isso, um dos desafios da abertura do mercado de energia será tornar a jornada mais simples.
Hoje, consumidores que já participam do mercado livre podem lidar com processos complexos. Entre eles estão diferentes faturas e dificuldades para compreender a migração e os benefícios obtidos.
Para Liu, as empresas têm responsabilidade nesse processo de simplificação. Entretanto, a regulação também precisa evoluir para acompanhar a abertura do mercado de energia.
Simplificação deve estar no centro da experiência do consumidor
A chegada de novos perfis de consumidores muda a dimensão desse desafio. O que funciona para uma grande empresa não necessariamente funcionará para consumidores menores.
Por isso, simplificar produtos, informações e processos será importante para o avanço da abertura do mercado de energia.
Além disso, o preço não deverá ser o único argumento para estimular a migração.
Até agora, a entrada no mercado livre esteve bastante associada à possibilidade de economia. Conforme o mercado se amplia, outros atributos podem ganhar relevância na decisão.
Experiências internacionais mostram, por exemplo, modelos nos quais produtos são desenvolvidos de acordo com diferentes perfis e horários de consumo.
No Brasil, essa evolução ainda depende de mudanças na forma como os consumidores percebem o custo da energia ao longo do dia.


Abertura do mercado de energia exige uma jornada mais simples.
Preços podem ajudar a tornar o mercado mais eficiente
Para Liu, sinais de preço mais adequados podem criar incentivos para que o consumo aconteça em momentos mais eficientes para o sistema.
Atualmente, consumidores de baixa tensão têm um preço que não acompanha diretamente as variações do custo da energia ao longo do dia.
Com uma estrutura diferente, seria possível incentivar o consumo nos períodos em que a energia custa menos. Ao mesmo tempo, o consumidor poderia ser desestimulado a consumir nos horários mais caros.
Essa mudança também abriria espaço para novos produtos.
Geradores poderiam considerar seus próprios perfis de geração para desenvolver ofertas mais competitivas. Já os consumidores teriam novas possibilidades para escolher soluções adequadas às suas necessidades.
Assim, a abertura do mercado de energia poderia avançar acompanhada de ganhos de eficiência para toda a cadeia.
Regulação é um dos desafios da abertura do mercado de energia
A evolução regulatória ocupa uma posição importante nesse processo. Segundo Liu, aumentar a previsibilidade é necessário tanto para o mercado quanto para novos investimentos.
“O sistema tem que estar regulado para gerar um incentivo para entrar a fonte correta com as características corretas”, afirma.
A Echoenergia tem acompanhado e contribuído para essa agenda. Como parte de um grupo integrado, a companhia busca considerar os impactos das decisões sobre diferentes agentes, inclusive o consumidor final.
Essa visão também influencia as perspectivas para novos investimentos em geração. No cenário atual, a companhia mantém cautela com a expansão de novos ativos enquanto busca maior previsibilidade para o setor.
Enquanto isso, a estratégia está concentrada no crescimento da comercialização e na aproximação entre geradores e consumidores.


Regulação é essencial para a abertura do mercado de energia.
Novas tecnologias também entram nessa transformação
O futuro do setor elétrico não depende apenas da abertura do mercado de energia. Novas tecnologias e novos perfis de demanda também fazem parte dessa transformação.
Na entrevista, a conversa passa por temas como armazenamento de energia por baterias e crescimento da demanda associada aos data centers.
No caso dos data centers, Liu chama atenção para a competição entre diferentes países pela atração desses investimentos. O preço da energia é apenas um dos fatores considerados.
Mão de obra qualificada, ambiente tributário, regulação e segurança institucional também influenciam essas decisões.
Por isso, preparar o setor para o futuro exige uma combinação de eficiência, previsibilidade e capacidade de adaptação.
A abertura do mercado de energia faz parte desse movimento. Para Liu, o desafio não está apenas em permitir que mais pessoas escolham de quem comprar energia. É necessário criar condições para que essa escolha seja simples, vantajosa e eficiente para o sistema.
Quer entender melhor esse cenário? Assista à entrevista completa de Liu Aquino, diretor-presidente da Echoenergia, com Camila Maia, jornalista da MegaWhat, no terceiro episódio da temporada especial do MegaCast com a Echoenergia. A conversa aprofunda os desafios da abertura do mercado de energia e as transformações que devem moldar o futuro do setor elétrico brasileiro.


